Há uma passagem muito bonita no livro Comer, rezar, amar, de Elizabeth Gilbert (Ed. Objetiva) que eu gostaria de compartilhar com vocês. A autora escreve assim:“Eles (os zen-budistas) dizem que um carvalho é criado por duas forças ao mesmo tempo. Evidentemente, há a pinha onde tudo começa, a semente que contém toda a promessa e o potencial e que se transforma em árvore.
Mas são poucos os que conseguem reconhecer que existe outra força em ação aí também – a futura árvore em si, que quer tanto existir que faz a pinha nascer, usando seu desejo para fazer a semente brotar do nada, guiando a evolução da inexistência à maturidade. Pensando assim, dizem os zen-budistas, é o carvalho que cria a pinha da qual ele próprio nasceu.
Penso na mulher em que me transformei recentemente, na vida que estou vivendo agora, e em quanto eu sempre quis ser esta pessoa e viver esta vida, liberta de toda a farsa de fingir ser qualquer outra pessoa que não eu mesma. Penso em tudo que suportei antes que suportei antes de chegar aqui, e pergunto-me se fui eu – quero dizer, esse eu feliz e equilibrado, (...) quem empurrou para a frente durante todos esses anos difíceis.
O eu mais jovem era a semente, cheia de potencial, mas foi o eu mais velho, o carvalho que já existia, que passou o tempo inteiro dizendo: “Isso... cresça! Mude! Evolua! Venha nos encontrar aqui, onde eu já existo inteiro e maduro! Preciso que você cresça dentro de mim!”
Então, pergunto a vocês: a vida que estão vivendo agora é mesmo a que gostariam de viver? Quando se olham no espelho vêem alguém que realmente são?
Todo mundo exerce papéis. De filhos (as), pais, trabalhadores, irmãos, esposas ou maridos. Mas, além desses papéis, existimos como carvalho maduro dentro de cada um. Já nascemos com tudo o que seremos. Mas é preciso batalhar para evoluir e florescer. É um longo e difícil processo.
Quando eu tinha uns 16 anos, por exemplo, lembro que precisava fingir para os meus pais ser outra pessoa para poder me divertir. Fui vivendo aquele papel até que me perdi e já não sabia quem eu era. Os anos – alguns dolorosos – passaram e eu iniciei uma busca pelo eu abandonado.
Até que encontrei uma boa parte de mim. E, apesar de ainda sentir que possuo um espírito inquieto, já me reconheço como sendo alguém que realmente sou. Mas consciente que o autoconhecimento é um exercício eterno.
DESENCONTRO
Tantas partidas e despedidas
A hora do encontro no aeroporto
No porto, no parque, no café.
Tantas vezes me viro e reviro no leito frio
O relógio segurando as horas
O ambiente sufoca. Ou serão os pensamentos?
Desço as escadas de cimento bruto
Correndo em busca de você.
Transpiram os poros, arregalam os olhos,
Aceleram os passos.
Quando você vai chegar?
Meu pescoço está suado, a boca ressecada.
O que é esse desejo senão a ausência de ti?
O que será esse desmazelo quando não te vejo.
Rola, dorme, sonha, grita.
Cabeça, mãos, pele, joelho.
Repousa em ti todo o meu afeto.
Quieto, aflito, amigo.
Os olhos, dois pontos pretos.
“Nunca somos nós mesmos com tanta intensidade do que quando estamos em silêncio. Nestas ocasiões, somos quem fomos antes de assumir temporariamente essa forma física e mental que chamamos de pessoa. Também somos aquele que seremos depois que a forma se dissolver. Quando estamos em silêncio, somos quem somos além da nossa existência temporal: a consciência – incondicional, sem forma, eterna”
Por Eckhart Tolle, mestre espiritual alemão, pesquisador da Universidade de Cambridge, autor dos livros O poder do agora e Um novo mundo (ambos da Ed. Sextante)










21 recados:
A vida que vivo hoje é próxima da vida que sonhei, mas sempre faltam coisas pelas quais lutamos...
Mas já tive uma vida bem insuportável, em que achava que absolutamente tudo estava errado.
Beijocas
Então, Denise, eu não sei. Sua pergunta é muito difícil. Sinceramente, eu acho que ainda não encontrei um objetivo claro e definitivo para a minha vida. Não sei se eu gostaria de ser escritor, se gostaria de ser um jornalista da área da cultura pop, se gostaria de ser um astrofísico, ou ainda jornalista de revista de viagens, ou se gostaria de estar onde estou. Gosto do que faço, mas... ao mesmo tempo fico feliz ao chegar em casa e poder usar meu tempo livre para ver filmes, ler meus livros, etc. Acho que eu seria um bom vencedor de mega-sena, hahahaha. Então, ainda estou no início de uma jornada de auto-descoberta, e espero descobrir o que desejo fazer.
O que sei é que me incomoda um pouco ter que conviver com algumas pessoas muito diferentes de mim, interessadas por baladas, homens similares aos do post anterior, etc. Mas o que fazer? Não posso me julgar melhor do que eles, e tenho que lembrar que são almas como eu, e ambos estamos cheios de impurezas, talvez apenas de maneiras distintas.
Oh, e muito bonito o seu poema! Fiquei com vontade de assistir a um doce romance. Aliás, você viu o filme do Dustin Hoffman com a Emma Thompson? Last Chance Harvey, ou Tinha que Ser Você em português. Estou querendo assisti-lo, mas não sei se vai dar essa semana. =)
Sobre a reflexão, eu li exatamente hoje um texto do Osho falando da importância da meditação, e do silêncio. Já dei dois livros do Eckhart Tolle para a minha mãe. Parece que os embasamentos teóricos dele são excelentes, como os do Deepak Chopra.
Denise lendo o seu texto me veio a cabeça a história da pérola e todo o sofrimento que é preciso acontecer para que possa surgir essa linda jóia.
Agora sobre sua pergunta, claro que não estou contente, quero mais, tenho sonhos e quero realiza-lós.
Sua poesia, é preciso tanta luta para chegar em algum lugar. Quem não luta não vence.
Bj!
Não, a vida que vivo hoje não é a que sonhei. Em alguns aspectos, é melhor. Em outros, pior. Mas acredito que a vida nunca será exatamente como sonhamos. E é aí que está a graça, no final das contas.
Amo esse livro. É mesmo ótimo!
O poema é tão perfeito! Encaixou plenamente.
E o 'vamos refletir' é realmente verdade. Nunca tinha pensado nisso, mas o Eckhart Tolle tem toda a razão. Só somos essencialmente nós mesmos em silêncio. O resto de nós usa muitas máscaras...
Adorei o post de hoje. =)
Oi! Vim visitar! bjs, da DriM
http://drimsatelie.blogspot.com/
Pra mim `perfeição é o equilíbrio entre o bem e o mal`
Hoje de manhã me lembrei de uma cena. Eu, + ou - 16 anos na academia fazendo bicicleta ergométrica ( naquela época era o que há de melhor) e uma mulher do meu lado comentando com outra que era uma eterna insatisfeita.Na hora me veio na cabeça assim: que infeliz esta mulher! E percebo, trucentos anos mais tarde, que EU tbém sou uma insatisfeita. Agora o que eu vou fazer com a minha corrida maluca chamada insatisfação é outro papo.
Falando nisso, o teu post INTEIRO me trouxe alguma coisa. Tudo desde o texto incial, a sua poesia e o vamos refletir me deu algo pra pensar. Muita coisa boa temos aqui. Tem momentos que é disto que precismo, um bom texto, um vinho e o silêncio pra conversar com os botões.
Me iluminou. Valeu!
bjos e boa semana.
Dama
Não me referia bem à coisas, e sim como somos como pessoas. Somos egoístas? Temos medos escondidos? Sufocamos sentimentos dentro de nós? Mas é bom saber que sua vida hj se aproxima do que te faz realizada.
Um beijo e boa semana
Elvis
Meu caro, percebo que um trecho de um livro quando sai do contexto nem sempre é entendido da mesma forma. Era de se esperar, mas só agora percebo. Não me referia bem às funções que exercemos na vida profissional, mas como somos como seres humanos: temos medo? Somos egoístas? Fingimos ser algo que não somos? É mais por aí. Mas acredito que vc seja um rapaz muito atento a isso, pela sua conduta e vida espiritual.
Mudando de assunto: que bom que gostou do poema. Sim, já assisti ao filme. Vi em inglês, até antes de estrear. É um filme triste, de pessoas "fracassadas" e infelizes, mas que, felizmente, dão uma chance ao amor. Acho que vc vai gostar. Aliás, bom tema para um post.
Um beijo e boa semana
Babi
Na verdade, a reflexão era em relação ao que somos como seres humanos: temos medo? Somos egoístas? Fingimos ser algo que não somos? É mais por aí.
Um beijo e boa semana
Paloma
Na verdade, a reflexão era em relação ao que somos como seres humanos: temos medo? Somos egoístas? Fingimos ser algo que não somos? É mais por aí. O trecho, fora do livro, não transmitiu os sentimentos da autora. Só agora percebo. Mas que bom que vc gostou do post de hj e ele te fez refletir.
Um beijo e boa semana
Drim
Bem-vinda e obrigada pela visita. Seu blog é um mimo. Vou visitá-lo com mais calma.
Um beijo e boa semaninha
Carol
Fiquei muito feliz pelo seu comentário. Posso estar enganada, mas acho que vc entendeu algo mais nas entrelinhas e pôde captar o que eu diz dizer sobre o que somos hoje.
E, olha, tb adoro ficar sozinha, beber um vinho e pensar na vida. É a minha cara isso. =]
Um beijo, obrigada pelo carinho e boa semana
Considerando que meu objetivo maior neste mundo é evolução, posso responder com segurança que estou caminhando (não importa se devagar ou rápido, em que "estágio" me encontro etc.). E espero sempre buscar mais crescimento. Não sei muitas coisas, não tenho várias coisas materiais, e não me sinto insatisfeita, incompleta ou infeliz.
O conhecimento está disponível, ao alcance de todos, desde que se busque por ele. Os bens materiais, gostaria de tê-los por capricho, talvez, por ego e, por isso mesmo, não me fazem falta alguma. Desejos todos temos. O importante é saber controlá-los para não nos tornarmos escravos deles. É muuuuito difícil, mas vai se tornando mais fácil a cada dia.
Como diz Paramahansa Yogananda: "Liberdade de vontade não consiste em fazer as coisas de acordo com os ditames de hábitos pré-natais ou pós-natais, nem de acordo com os caprichos da mente. Ter uma vontade livre é agir de acordo com as sugestões da sabedoria e da livre-escolha".
Ahh, esqueci de dizer: seu poema é lindo, Denise! Parabéns!!
Beijo!
eu to com vonatde de ler este livro como rezar comer e amar to dando umas olhadas agora nos preços!
Denise, acho mesmo que o tempo vai nos deixando ser nós mesmas. Talvez a coragem venha com a independência financeira ou até psicológica que temos dos nossos pais. Também estou me tornando mais eu mesma e gostando mais de mim assim.
E que lindo poema de amor, saudade e reencontro! Adorei!
Beijos!
Vou procurar este livro tb! Interessei!
Acho que o segredo eh sempre buscarmos acreditarmos naquilo que queremos, mas nunca desistir no caminho!!Assim nao nos perdemos...
bjus
Papo calcinha!!
ameii ♥
beijão
Ameiii o blog!
Super importante este espaço!
Seguirei!
bjss
Oi Denise...
Como é bom visitar essa página sempre me faz para e pensar, táva com saudades...
Um grande beijo
Com carinho
Oi Deni, entendi sim o que estava no ar.
Voltei pra ler de novo, tá bom demais este post,bonita!
bjos e manda um calorzinho pra cá, que tô virando picolé com máxima de 5 graus nestas banda de cá.
Amanda
Não me sinto infeliz, mas tenho uma sensação de que falta alguma pedra nesse meu quebra-cabeça. =]
Que bom que gostou do poema. Obrigada.
Um beijo grande
Camila
Sim, com certeza, minha querida. A independência – boa percepção a sua – nos possibilita sermos autênticos. Que bom!
Um beijo pra você
Polly
Tomara que você goste do livro. Para mim ele é maravilhoso porque senti muita afinidade com a autora.
Um beijo pra você
Josie
Bem-vinda, tá? Obrigada pela visita e volte sempre.
Um beijo pra você
Carol Lobo
Bem-vinda você tb! Coisa boa ter novas leitoras. Tomara que goste do Papo Calcinha.
Um beijo pra você
Roberta
Querida, tb estava com saudades de seu texo sempre tão sensível.
Um beijo pra você
Carol
5 graus? Ui! E pensar que carioca reclama dos 15...Mas que bom que vc gostou do post. Tenho a sensação de que vc vai gostar do próximo tb. Comecei a escreverhoje.
Um beijo pra você e obrigada pelo carinho
Posso dizer que construo a vida que quero viver a cada dia, e meu sucesso é fruto de meus esforços e minhas falhas eu vou analisando pra fzr melhor e nãoo mais cometer os mesmos erros.
Bjnhos...
To louca pra ler esse livro, vai pra lista pós-tcc!
Engraçado, eu sinto que sou uma no trabalho, uma do namorado e outra da minha solidão!!!Mas uma hora a gente se acha, né?
bjokas querida!!!
Aline
É isso aí. Tb acho que é por aí.
Um beijo pra você
Fê
Minha filha, vc é tripolar??? Hehehe
Tomara que vc goste do livro (eu acho que vai)
Um beijo pra você
Olá,
Agradeço a possibilidade de ler seus pensamentos!
Notei uma grande inspiração em Neale Donald Walsh e a sua trilogia "Conversas com Deus"!
Verdade?
Penso que a vida é como um livro e cada dia é uma página! O que escrevermos em cada página é da nossa responsabilidade!
Os meus respeitosos cumprimentos
Jorge
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