quinta-feira, 19 de novembro de 2009

OS PRAZERES E DESPRAZERES DO TRABALHO


O escritor suíço radicado no Reino Unido, Alain De Botton, acaba de lançar o livro Os Prazeres de desprazeres do trabalho (Ed.Rocco). Em entrevista ao repóter Fernando Duarte, do jornal O Globo, me chamou a atenção algumas declarações:

"Temos grandes expectativas de que precisamos ser felizes trabalhando e que o trabalho deve estar no centro de nossas vidas e aspirações. A primeira pergunta que fazemos para novos conhecidos não é de onde vem, mas sim o que eles fazem."

"Quando não estamos felizes no trabalho, precisamos separar nosso valor do tipo de trabalho que fazemos."

"Aristóteles, por exemplo, já dizia que ninguém poderia ser livre, diante da obrigação de garantir o próprio sustento."

"Defendo o ponto de vista de que é preciso dizer verdades feias, pois as pessoas podem sentir menos isoladas com seus problemas. É muito fácil sentir que somos a única pessoa aborrecida com nosso trabalho, mas meu livro mostra o quão comum tal situação é."

"Muitos de nós caem de paraquedas em empregos que não necessariamente requerem nossa preciosa habilidade."

"Esse termo (vocação) surgiu num contexto cristão durante a Idade Média, mas uma versão secularizada sobreviveu e nos tortura com a expectativa de que o sentido da vida poderá num certo ponto ser revelado de forma decisiva (...). Não é normal sabermos o que queremos (profissionalmente). Isso é um raro feito psicológico."

O próprio escritor, conhecido como uma pessoa que aborda as questões entre o sonho e a vida prática, sonhava em ser cineasta. Estou ciente que grande parte dos meus leitores ainda é jovem, portanto, talvez ainda não esteja no mercado de trabalho, nem preocupada com a subsistência e compromissos com contas. Mas refletindo sobre o que discorreu o De Botton, penso que ele tem razão em levantar uma questão que tanto nos afeta.

Damos bastante importância ao trabalho, à profissão que iremos abraçar. É como ir atrás do sonho, da busca da realização profissional e felicidade ainda que sem a garantia de conseguir alcançá-los. Há pouco tempo saiu em uma revista, não lembro se era Época, Veja ou similar, uma pesquisa mostrando que grande parte das pessoas está insatisfeita no trabalho. Lembro que havia uma mulher num cargo que eu gostaria de ter e brinquei dizendo: "vou perguntar se ela quer trocar comigo". Por outro lado, eu exerço uma função que algumas pessoas gostariam de fazer. Já me disseram: "Puxa, seu trabalho é tão interessante, você trabalha com cinema, fala com atores, conhece cineastas, vê filmes antes de todo mundo".

Eu não odeio o meu trabalho, mas como já dizia Aristóteles, não me sinto totalmente livre porque preciso pagar minhas contas. Assim como disse De Botton, eu caí de paraquedas nesse emprego e penso que ele não explora todo o meu potencial, sobretudo, o maior dom que é o de escrever. Adoraria ser uma Martha Medeiros da vida. Mas viver de literatura é para poucos, então, procuro exercer a vocação de outra maneira. Por exemplo, assumindo atividades que tenham a ver com a minha formação, como edição de fotos e de textos do site da empresa. E escrever artigos no Papo Calcinha, que me proporciona prazer além de me exercitar na profissão.

A parte mais difícil para todos – penso eu – é nos dar valor como ser humano, ainda que não estejamos completamente satisfeitos no trabalho. Sabem por que? Por que determinados ofícios são muito glamourizados, como o de pintores, escultores, cantores, bailarinas, chefes de cozinha, apresentadores de televisão, atores... Como se eles fossem 100% felizes em seus empregos. Duvido que eles também não se aborreçam com contratos, horas seguidas gravando novelas, com colegas invejosos de plantão para puxar-lhes o tapete, patrões mesquinhos e grosseiros. A cantora Marina Lima já caiu em depressão, a atriz Leandra Leal uma vez declarou odiar o papel na novela, só para citar dois exemplos. Eu conheço um ator que ingressou na profissão porque os pais são atores famosos, ele cresceu no ambiente artístico, conhece todo os "cabeças" do ramo, o caminho estava aberto, o emprego garantido. Mas o sonho dele mesmo é viver de música.

Tudo isso porque "temos grandes expectativas de que precisamos ser felizes trabalhando e que o trabalho deve estar no centro de nossas vidas e aspirações", como disse De Botton. Mas é possível ser de outro jeito?

Photobucket


PENSAMENTO DO DIA:
"Tente ser uma pessoa de valor, não de sucesso" – Albert Einstein



REFLETINDO...

Manual para subir montanhas (continuação)
(Do livro Ser como rio que flui – Pensamentos e reflexões, Paulo Coelho, Ed. Agir)

"Respeite sua alma: não fique repetindo o tempo todo 'eu vou conseguir'. Sua alma já sabe isso, o que ela precisa é usar a longa caminhada para poder crescer, estender-se pelo horizonte, atingir o céu. Uma obsessão não ajuda em nada a busca do seu objetivo, e termina por tirar o prazer da escalada. Mas atenção: tampouco fique repetindo 'é mais difícil do que eu pensava', porque isso o fará perder a força interior"

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VÍDEO DO DIA: O vídeo de hoje é a cara do Papo Calcinha, ou seja, ele reflete o que eu busco.
Vamos renovar a espécie humana?
Vamos investir na alma?

Espero que todos gostem. Tenham um ótimo fim de semana! Um beijo!

sábado, 14 de novembro de 2009

Vingança

A despeito de todos os ditos populares que conhecemos, não podemos negar: a vingança é mesmo um sentimento do mal. É claro que ninguém aqui é santa (o), então, quando a gente vê uma pessoa que nos fez muito mal cair e quebrar a cara, sente uma sensação boa, como se a justiça tivesse sido feita. "A vingança é uma espécie de justiça selvagem", disse Francis Bacon, filósofo britânico do século XVII. Vamos refletir sobre isso?

Em artigo para a Folha de São Paulo há algumas semanas, o psicanalista Contardo Calligaris escreveu: "(...) Sofremos mil violências morais ou físicas, grandes ou pequenas. Com elas, em regra, não ganhamos nada, a não ser que a gente acredite numa justiça divina após nossa morte: quem sofre aqui na Terra será recompensando nos céus. Também podemos nos consolar com a ideia de uma 'grandeza' moral que nos seria própria, pela 'generosidade' com a qual aguentamos as ofensas, esquecendo-as ou mesmo oferecendo gentilmente o outro lado do rosto."

Contardo continua: "mas resta uma dúvida (que compartilho com Nietzsche): nossa moral aparentemente generosa e a esperança de que Deus, um dia, recompense os ofendidos e puna os ofensores talvez sejam uma grande intervenção coletiva, criada, justamente, para que as vítimas sejam confortadas e possam perdoar não tanto aos agressores, mas a elas mesmas, ou seja, perdoar a 'covardia' da qual elas acabam se acusando, num eterno lamento por elas não terem revidado na hora."

Ainda que retirado do contexto do artigo – que falava sobre o filme Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino – o trecho nos incomoda pelo fato de nos desafiar: no fundo somos covardes que não reagimos diante de uma agressão, esperando que Deus irá nos confortar? Nossa, gente, quanta coisa pode se discutir daí.

Recentemente, eu estive com a faca e o queijo na mão para arrasar uma pessoa que muito me prejudicou. Cheguei a pensar que Deus havia me enviado aquela oportunidade. Mas optei por ficar na minha (será que fui covarde?). Na verdade, sou da teoria do "aqui se faz, aqui se paga" e "você colhe o que plantou". Acho que alimentar um ciclo do mal só faz perpetuar esse mal.

Mas e vocês: já se vingaram de alguém que os prejudicou muito (não serve coisinha boba) ou esperaram a vida dar o troco por vocês?

O tema do post me lembrou o filme Vingança, com Kevin Costner e Madeleine Stone, dos anos 90. Kevin vai ao México visitar o amigo, um "coronel" de meia-idade, rico e politicamente bem relacionando. Acontece que Kevin se apaixona loucamente pela esposa dele, linda e jovem. Como diz o título, o amigo se vinga e de maneira cruel. Mais não posso contar. Assistam e separem os lencinhos...

Há outro filme bem mais marcante pra mim chamado Lady Vingança, do coreano Park Chan-Wook, que fez outros dois filmes fechando uma trilogia sobre o tema. Extremamente violento e com uma fotografia maravilhosa, o filme é chocante e conta a história de uma mulher que sai da cadeia e se vinga do namorado pedófilo que a fez cumprir pena por um crime que não cometeu.


REFLETINDO...

Manual para subir montanhas (continuação)

(Do livro Ser como o rio que flui – Pensamentos e reflexões, de Paulo Coelho, Ed. Agir)

"Respeite seu corpo: só consegue subir uma montanha quem dá ao corpo a atenção que merece. Você tem todo o tempo que a vida lhe dá, portanto, caminhe sem exigir o que não pode ser dado. Se andar depressa demais, irá ficar cansado e desistir no meio. Se andar muito devagar, a noite pode descer e você estará perdido. Aproveite a paisagem, desfrute a água fresca dos mananciais e as frutas que a natureza generosamente lhe dá, mas continue andando"

Ilustração ao lado de Talitha Shipman


VÍDEO DO DIA: Hoje bateu uma vontade enorme de dançar. E, atualmente, dançar pra mim significa curtir Poker face, com a Lady GaGa. Admiro a moça, jovem, bonita, hormônos explodindo em talento, energia e irreverência. O nome artístico foi homenagem a música homônima do saudoso Freddy Mercury.



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

VOCÊ TEM FÉ EM DEUS?

Diante de uma grande dificuldade, você acredita que Deus pode ajudar?

Uma amiga uma vez disse que o que ela mais suplica a Deus é o fortalecimento da sua fé. Refleti sobre isso e percebi que nunca fiz esse pedido. Geralmente, eu deixo de orar achando que não vai resolver, o que demosntra minha pouca fé. Segundo Paulo Coelho em O livro dos manuais, que estou lendo no momento, um guerreiro da luz também sofre com as injustiças da vida. Mas ele sabe que deve se manter quieto, sem fazer nada, apenas aguardando porque Alguém está olhando. E esse Alguém dá ao guerreiro aquilo q
ue ele mais precisa: de tempo. Com o passar dos meses ou anos, sei lá, tudo voltará a trabalhar a favor dele. Vocês acreditam nisso?

Dizem que o tempo de Deus é diferente do nosso. Que não devemos reclamar da vida. Não estou me referindo àquelas pessoas muito submissas, que aceitam tudo de ruim que acontece com elas sem esboçar uma reação. Falo de gente que quer muito, mas muito uma coisa, batalha por ela e não acontece. Uma pessoa honesta que vive anos sem conseguir trabalho. Outra que junta as economias para comprar uma casa e um plano econômico arrasa com o sonho. Uma que nunca se casou e deseja um companheiro. Um casal que quer muito ter um filho e não consegue. São situações tão injustas, que buscamos respostas para tanto sofrimento.

Nos questionamos do porquê não conseguirmos realizar nossos sonhos e até desacreditamos nesse "Alguém que está nos olhando". Fazemos até mais: achamos que só acontece com a gente. Eu sou uma das primeiras a dizer que tudo comigo é sempre bem difícil, minhas conquistas vieram após uma batalha. E observo que, para outras pessoas, as coisas simplesmente acontecem naturalmente, sem esforço. Compreender porque isso acontece é quase o mesmo que querer entender o sentido da vida.

Semana passada, Paulo Coelho twittou dizendo que "Toda benção, quando ignorada, se transforma em maldição". Credo! Me senti como se tivesse levando um puxão de orelhas. Posso dizer que sou abençoada. Afinal, só em ter saúde já me considero uma abençoada. Mas, sejamos sinceros, é difícil se contentar com uma situação que faz a gente chorar e desanimar, não é verdade? Conheço uma pessoa que sonha em se casar desde menina, namorou, namorou, completou 37 anos e isso ainda não aconteceu. Na novela Viver a vida, uma modelo jovem e linda sofre um acidente e fica tetraplégica. Há outros exemplos da vida real no final de cada capítulo da novela. Não é fácil aceitar uma condição que a gente quer mudar e que, talvez, nunca se transforme.

P.S. Já disse aqui que não gosto dos livros do Paulo Coelho e agora estou lendo dois ao mesmo tempo. Na verdade, ambos trazem suas experiências místicas, contos sufis, lendas dos guerreiros da luz, pensamentos, coisas que adoro. Mas confesso que está me dando vontade de reler algum romance dele. Não dizem que às vezes "pagamos com a língua"? Então, agora estou pagando com a minha.

Gostaria de convidá-los para conferir a entrevista que dei para o Vida Blogueira e agradecer à Nade, do Orgulho de ser, pela iniciativa. Um beijo!


REFLETINDO...

Manual para subir montanhas (continuação)
(Do livro Ser como o rio que flui – Pensamentos e reflexões, de Paulo Coelho, Ed. Agir)

"A paisagem muda, portanto aproveite: claro que é preciso ter um objetivo em mente – chegar ao alto. Mas à medida que se vai subindo, mais coisas podem ser vistas, e não custa nada parar de vez em quando e desfrutar um pouco o panorama ao redor. A cada metro conquistado, você pode ver um pouco mais longe, e aproveite isso para descobrir coisas que ainda não tinha percebido"




@denisedoegito

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

UMA SURPREENDENTE CARTA DE LEITORA

Recebi um e-mail da leitora – que chamarei de J. – me contando sobre sua história de amor com um homem que vive em outro país. Ela me autorizou a publicar sua história:

"Olá, Denise! (...)

Ao ler seu post sobre o livro Um toque de estrela, fiquei surpresa. São questões que vivo matutando. Como saber se é O amor verdadeiro, apesar de ter certeza que vale a pena viver cada segundo de um relacionamento tão gostoso?

Tenho 21 anos, sou estudante de Arquitetura, trabalho na área há quase três anos. Estudei muito, fiz cursos, falo três idiomas. No ano passado fui a trabalho para a Europa, ficando por lá seis meses. No segundo mês morando em Barcelona, saí com uma amiga para encontrarmos uns amigos dela em um barzinho da cidade. Foi quando eu conheci C. Foi algo instantâneo: olhamos um para o outro, abrimos aquele sorriso e nos cumprimentamos. Sentei perto dele, conversamos a noite toda.

C. é australiano, tem 30 anos e me encantou. Relutei muito para sairmos sozinhos, pois não queria me envolver com ninguém lá. Foram depois de alguns convites recusados, que resolvi aceitar porque ele me tratava super bem, tínhamos uma conversa legal e me sentia confortável com ele. Acontece que dali em diante tudo foi simplesmente perfeito. Vivi uma história de amor, com direito a beijos apaixonados em lugares esplêndidos. Não queríamos nos apegar, conversamos sobre isso no começo, decidimos que viveríamos um dia por vez, mas foi inevitável.

O momento de dizer "adeus" foi um dos mais dolorosos da minha curta vida. Voltei pra casa e passamos a conversar sempre pela internet. Por mais que tentássemos, não conseguimos deixar toda aquela história para trás. No mês passado, ele me enviou uma mensagem falando que estaria na minha cidade por duas semanas! Eu fiquei nervosa, surpresa, extasiada, tive vontade de chorar de felicidade. Reencontrá-lo foi perfeito, ele estava mais lindo que nunca e poder abraçá-lo foi algo fora do comum.

Sabemos que mesmo depois de meses, o sentimento não mudou, ao contrário, amadureceu. Conversamos todos os dias e concordo que relacionamentos à distância sobrevivem de confiança e sentimento verdadeiro. Eu quero ficar com ele. Imagino dividindo minha vida com ele e ele o mesmo comigo.

É impossível saber o fim dessa história. Sei que o que tenho vivido é um sentimento dificil de dizer em palavras. É coração, pele e mente todos unidos. A gente nunca sabe o que pode acontecer, mas o nosso presente a gente deve aproveitar. Amanhã, veremos no que isso dará. Hoje nós planejamos, vemos quando poderemos nos encontrar novamente, mas de resto, só Deus sabe.

Bom, esta é minha história, que tem um "que" de amor impossível, mas me sinto bem em poder compartilhar com alguém. ^^

Obrigada pela atenção!!!! Tenha um ótimo fim de semana"

Eu achei linda a história de J. e vocês?

Penso que ela está certa em viver esse relacionamento, não importa se ele mora na Austrália e ela no Brasil. Se ele já veio para cá, poderá vir outras vezes. E ela também pode fazer suas economias para ir encontrá-lo.

Parabéns J. ! Desejo muitas felicidades para você e C. e que o amor que vocês sentem um pelo seja mesmo aquele "verdadeiro", que tanta gente busca ao longo da vida. Um beijo pra você!


Meus leitores: Agora é com vocês: O que acham da situação de
J. ? Aproveitem e votem na enquete ao lado.

REFLETINDO...

Manual para subir montanhas
(continuação)
(Do livro Ser como o rio que flui – Pensamentos e reflexões, de Paulo Coelho, Ed. Agir)

"Os perigos, visto de perto, são controláveis: quando você começa a subir a montanha dos seus sonhos, preste atenção ao redor. Há despenhadeiros, claro. Há fendas quase imperceptíveis. Há pedras tão polidas pelas tempestades, que se tornam escorregadias como gelo. Mas se você souber onde está colocando cada pé, irá notar as armadilhas, e saberá contorná-las".


(Continua no próximo post)

Ilustração de flores acima de Talitha Shipman


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A REALIZAÇÃO DE QUEM É MÃE


Existe o momento ideal para ser mãe? Penso que sim. É aquele que toda mulher espera: encontrar o homem certo, se casar ou morar com ele e, juntos, decidirem ter um bebê para "selar" a união. Mas e se isso não acontecer? Então, vale tudo: adotar, fazer inseminação artificial ou engravidar do "rolo" para realizar o sonho de ser mãe. Lembro que quando era bem jovem dizia: "Se não me casar, vou engravidar de um ficante".

Costumo dizer para as mulheres que desejam ser mães: não esperem muito tempo! Arrisquem, tenham fé! Há milhares de solteiras que tiveram filhos e deram um jeitinho de cuidar deles. Para tudo na vida dá-se um jeito, menos para a morte. Conheço uma pessoa que adiou tanto a gravidez que acabou perdendo a hora. Pedi a ela um depoimento e ela recusou pois o assunto a faz sofrer: "Eu tive vontade de ser mãe e não consegui", me confessou.

Como no post passado, publiquei um depoimento de quem nunca quis ser mãe, hoje segue o relato de uma mulher que sempre sonhou com filhos.

"Minha brincadeira preferida sempre foi a de casinha. Brinquei de boneca até bem tarde. Quando menina, onde quer que eu morasse, era comum me tornar a babá não-oficial dos bebês da vizinhança, pois adorava brincar e fotografar as crianças. Aliás, fotos que guardo até hoje. Também recortava das revistas – principalmente a revista Claudia que sempre tinha lá em casa – fotos de artistas com seu nenéns: Bruna Lombardi, Dina Sfat, Caroline de Mônaco, Lucélia Santos... E escrevia no diário que meu sonho era ter um bebê lindo e fofinho.

Então, vocês me respondem: o que seria de mim se não me tornasse mãe? Certamente não seria uma mulher realizada, completa.

Quando engravidei, aproveitei tudo o que podia ter curtido. Cada detalhe do desenvolvimento, cada movimento, cada chute. Fazer o enxoval foi uma delícia. Quase todos os dias eu tirava as roupinhas da cômoda, colocava-as sobre a cama e ficava admirando e vibrando. Lembro do meu barrigão até hoje e, acreditem, sinto saudade dele.

O momento mais feliz foi quando meu filho nasceu (e eu queria mesmo um menininho). Felicidade foi pouco. Quem me conhece mais intimamente e assiste ao vídeo, deve entender o que quero dizer. Devia ter um brilho especial em meus olhos e o sorriso devia estar mais evidenciado. Dei o primeiro banho, a primeira papinha, levei ao parquinho, fotografei e filmei centenas de vezes. Dei e ainda dou, sobretudo, muito amor e carinho.

Sinceramente, eu entendo as mulheres que dizem não terem vontade de ser mãe. Mas também compreendo aquelas que fazem de tudo para engravidar, como uma empresária de 52 anos que recorreu a um banco de sêmen.

Porque quando a gente tem um dom, seja o de ser mãe ou pintora ou cantora, é preciso atendê-lo. Eu penso como se fosse uma missão nesse mundo. Não sou simplesmente mãe. Sou formadora de um ser humano. E saibam que eu levo minha missão muito a sério =]".

Denise do Egito

P.S. Eu queria postar uma foto atual do meu filho, mas não fui autorizada. Hehehe. Publico, então, uma dele quando bebê (foto da abertura) porque ele era muito fofinho (coisa de mãe coruja, eu sei...) =D

PENSAMENTO DO DIA:

"Mente sem agitação é meditação.

Mente no momento presente é meditação.

Mente que não tem hesitação, nem antecipação é meditação.

A mente que voltou para a fonte é meditação.

Mente que se torna não-mente é meditação" – Sri Sri Ravi Shankar